quarta-feira, 2 de março de 2016

O RUGIDO

Primeiras horas do dia, às 5h02min, uma planície deserta em algum ponto do planeta Terra.
 Não entre aí, moço. É perigoso!
O grito ecoou do nada, como se oriundo das aragens de uma manhã recém-saída da madrugada, fugindo da escuridão da noite, nas cercanias de São Roque, interior de São Paulo.
 Calma, só vou olhar..., – respondeu procurando de onde saíra o conselho.
À frente do jovem, a alguns metros, uma arena de pedras, imensas como as que formam um castelo, com uma porta de jacarandá. Acima do puxador de bronze, uma inscrição que advertia: “Não entre. Este lugar esconde mistérios e uma leoa ferida”.
O moço não se amedrontou. Puxou a porta e observou. A visão era magnífica. Uma selva densa, cheia de árvores frondosas, muitas flores, animais de todo tipo. Sombria e atraente, embora deixasse no ar um cheiro forte de perigo, de medo.
O jovem, espírito guerreiro, invadiu o espaço. O portal se fechou atrás dele.
Fascinado, esgueirou-se pelas trilhas em busca de novidades.
Quando passava por uma clareira, ouviu um forte rugido. Seu coração disparou, adrenalina pura. Entrara ali sem escudos, sem armas, estava à mercê da situação.
Um belo animal, forte, fulgurante, semelhante a Aslam, em Nárnia, lançou-se sobre ele, jogando-o ao chão.
O grito da leoa não tinha segredos. Ao tempo em que o arranhava com suas garras afiadas, aparente desprezo pelos homens, que costumava devorar sem piedade, emitia no olhar um pedido: “Vem comigo. Fica comigo. ”
O rapaz lembrou-se imediatamente daquele felino, ao olhar profundamente em seus olhos negros como a noite. Uma recordação instantânea atingiu-lhe os neurônios, enfeitiçando o seu coração. Vidas passadas, um amor de um leão e uma leoa, formas humanas, duas criaturas sujeitas às mazelas da vida de um planeta da Via Láctea. Amores mal resolvidos haviam deixado aquele maravilhoso espécime da fauna sangrando, feridas abertas no tempo, enclausurado naquele espaço misterioso e reservado, fechado a qualquer investida cromossômica XY.
Recordou-se de que tentou resgatar sua infância felina naquele intervalo ido, encoberto pelas passagens de Cronos. Atirou flechas e mais flechas, Cupido incansável, mas acabou vítima de uma das suas próprias setas, calcanhar de Aquiles descoberto.
Suas falas apaixonadas (“Pomba minha, que anda pelas fendas das penhas, no oculto das ladeiras, mostra-me o teu semblante, faze-me ouvir a tua voz; porque a tua voz é doce, e o teu semblante formoso, deixa-me devolver-lhe a inocência perdida”; “Como és formosa amada minha, eis que és formosa! Os teus olhos são como pombas por detrás do teu véu; o teu cabelo é como cascata cristalina, refletindo luz nos olhos de quem o vê; os teus lábios destilam o mel, fera minha; mel e leite estão debaixo da tua língua, e o cheiro dos teus vestidos é como o cheiro da inocente paixão”), todo o seu amor, toda a sua dedicação, não desaguaram no mar e ele acabou incendiado por sua própria paixão. A morte foi sua fiel companheira e o levou para longe da amada, sem demovê-la da sua rocha, peito cristalizado, vítima de Medusos.
Mas agora o passado regressava com força, a força de uma leoa enclausurada. O tempo passou e, fora da esfera das horas, ela acabou sucumbindo aos apelos do jovem-leão, esvanecido naquele átimo, vítima de sua própria luta para retirar-lhe as pedras depositadas em seu coração. Qual guerreiro dedicado, tentara abrir-lhe o peito à espada, mas não localizara as feridas que gostaria de cauterizar, suavizar, curar. Sem sucesso e sem vida, afinal.
Mas agora o passado regressava, na forma do rapaz que entrara na sua abóbada, reconhecido de vidas passadas. E a frase ecoava em toda a mata: “Vem comigo. Fica comigo”.
Os deuses do amor têm as suas tragédias, as suas ciladas. Ele realmente amava a doce leoa, porém ela chegara no momento errado. Nenhum átomo de seu corpo mentia sobre isso, mas sentia-se num despenhadeiro. Apesar de novo no espírito, não era mais tão jovem, estava casado, tinha filho, e uma ética moral crucificante. Como poderia encarar mãe, filho, parentes, largando o mundo lá fora e ficando no bosque? Tinha uma vida lá fora sim. Mãe, mulher, filhos, mas como resistir a um pedido feito pelo amor? Maldição do destino. Como dizer não a tudo sem desafiar os seus limites? E como renunciar a um desejo do coração? Questões sem respostas para um amor que fugiu ao controle do tempo, que chegou inesperadamente, numa hora equivocada. Amarras grossas segurando um Titanic. Forte veneno, letal, seja a solução de todos estes males.
Ele abraçou fortemente a leoa, beijou-a intensamente, entregou-se ao Nirvana com ela em prazeres colossais, mas tinha que deixar a arena. Olhos marejados, coração arfando, querendo sair do peito, não conseguia dar a resposta que ela gostaria de ouvir. E certamente ela pensaria: “Desgraçado... igual aos outros. Não me ama de verdade. Não o suficiente para largar tudo e ficar comigo”.
Sim. Entretanto, nenhum deus onipresente, daqueles que conseguem ler pensamentos e o coração humano, iria negar que ele a amava.
Ele certamente iria sair da selva, da arena, mas com o coração apertado, o medo de perder a criatura querida. Assim, só sabia dizer repetidamente à sua leoa: “Por favor, pelos deuses, pelo que você mais acredita na vida, não feche a porta para mim. Suprema deusa, deixe-me vê-la sempre. Quem sabe um dia, talvez em outra vida, enfim a gente fique juntos para toda a eternidade. Pois o corpo não é mais do que uma casca, que um dia liberará o espírito dos amantes, como Romeu e Julieta, que no éter se juntaram um dia. A verdade do meu amor um dia vencerá minhas fraquezas humanas”.
A história não termina aqui. Só os deuses do amor podem prever seu desfecho. Nenhum profeta, nenhum adivinho, seria capaz de tomar as rédeas do tempo para saber em que lugar os mundos podem se juntar. Ou se nunca vão se juntar. A tragédia não queira tomar conta destes seres tão apaixonados, que um dia quiseram se ajudar, se amar, se achar. Oxalá eles achem caminhos que se unam sempre, independentemente de qual página do livro da vida estejam, não importa se virtual ou real, mágico ou terreno.

Dilton Cardoso

LUANA LUA LUAMA


Pérolas negras surgem ao sol se pôr
Rosto de cetim no encontro com o fim
Sorvete de morango rosa
Pele quente calorosa
Mata minha sede de amor

Lábios J'Adore desabrochando
Manhã de orvalho, orgasmo chegando
Cabelos teia, mulher aranha
Apanha-me na sua seda, ceda
A uma magia nada estranha

Pelos
Pelos seus pelos sumo
Sinto o seu sumo
Suma gata sudanesa
Sirva-se à mesa
Seja minha sobremesa

Estou no seu cristalino
Envolva-me no ar
Ah! Eu me desvio nas curvas que vejo
No seu vestido me perco, sumo
Suma deusa Luana
Leve-me para o seu altar

Dilton Cardoso

sexta-feira, 13 de março de 2015

MAFALDA


Pena que nossos políticos não tenham esses inquilinos dentro deles...

VONTADE


quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Bolsa Família
















DOIS jovens conversam pela internet:
Ela: Oi.
Ele: Oi.
Ela: Tem quantos anos?
Ele: 19.
Ela: Mora onde?
Ele: São Paulo.
Ela: Têm filhos?
Ele: Qual é? Quer me conhecer ou me cadastrar no Bolsa Família?

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

E tudo mudou…


O rouge virou blush 
O pó-de-arroz virou pó-compacto 
O brilho virou gloss 
O rímel virou máscara incolor 
A Lycra virou stretch 
Anabela virou plataforma 
O corpete virou porta-seios 
Que virou sutiã 
Que virou lib 
Que virou silicone 





A peruca virou aplique, interlace, megahair, alongamento 
A escova virou chapinha 
“Problemas de moça” viraram TPM 
Confete virou M&M’s 
A crise de nervos virou estresse 
A chita virou viscose. 
A purpurina virou glitter 
A brilhantina virou mousse 
Os halteres viraram bomba 
A ergométrica virou spinning 
A tanga virou fio dental 
E o fio dental virou anti-séptico bucal 
Ninguém mais vê… 
Ping-Pong virou Babaloo 
O a-la-carte virou self-service 
A tristeza, depressão 
O espaguete virou Miojo pronto 
A paquera virou pegação 
A gafieira virou dança de salão 
O que era praça virou shopping 
A areia virou ringue 
A caneta virou teclado 
O long play virou CD 
A fita de vídeo é DVD 
O CD já é MP3 
É um filho onde éramos seis 
O álbum de fotos agora é mostrado por e-mail 
O namoro agora é virtual 
A cantada virou torpedo 
E do “não” não se tem medo 
O break virou street 
O samba, pagode 
O carnaval de rua virou Sapucaí 
O folclore brasileiro, halloween 
O piano agora é teclado, também 
O forró de sanfona ficou eletrônico 
Fortificante não é mais Biotônico 
Bicicleta virou bike 
Polícia e ladrão virou counter strike 
Folhetins são novelas de TV 
Fauna e flora a desaparecer 
Lobato virou Paulo Coelho 
Caetano virou um chato 
Chico sumiu da FM e TV 
Baby se converteu 
RPM desapareceu 
Elis ressuscitou em Maria Rita? 
Gal virou fênix 
Raul e Renato, 
Cássia e Cazuza, 
Lennon e Elvis, 
Todos anjos 
Agora só tocam lira… 
A AIDS virou gripe 
A bala antes encontrada agora é perdida 
A violência está coisa maldita! 
A maconha é calmante 
O professor é agora o facilitador 
As lições já não importam mais 
A guerra superou a paz 
E a sociedade ficou incapaz… 
… De tudo. 
Inclusive de notar essas diferenças

LUIS FERNANDO VERÍSSIMO

terça-feira, 9 de abril de 2013


 
O PORTUGUÊS AO PÉ DA LETRA

T Comprei remédio para formiga.

Enquanto a maioria combate os formigueiros, o autor, ou melhor, os muitos autores de frases como esta, amantes inveterados desses laboriosos bichinhos, preferem curá-los ou preveni-los contra eventuais doenças, ou se esquecem de que o combate é feito com veneno, e não com remédio.

T Os fatos aconteceram precisamente entre 16 e 20 horas.

É preciso esclarecer que não se trata de precisão britânica, mas terceiro-mundista. Quando se quer precisar algo, é necessário determinar a hora com exatidão.

T Acho que tenho certeza.

Ou tem certeza, ou não tem. Se apenas acha, é porque não tem certeza. Pior do que isso, só acrescentando a palavra absoluta: Acho que tenho certeza absoluta. É o achismo levado ao extremo. Aliás, os achistas procuram, mas nunca acham. Bem feito!

Extraído do livro Os Pecados da Língua, de Ledur & Sampaulo

terça-feira, 26 de março de 2013

HUMOR


NEM PENSAR

O MARIDO, a mulher e a sogra foram conhecer Jerusalém, a Terra Santa. Chegando lá, a sogra morreu de tanta emoção. 
Quando o marido foi ver quanto custava a passagem para sua sogra ser levada para o Brasil, levou um susto: quinze mil reais. Espantada, a mulher sugeriu:
– Bem, se você quiser, nós podemos enterrar mamãe aqui mesmo!
– Nem pensar... De jeito nenhum!
– Mas por quê?
– Porque eu ouvi falar de um cara que foi enterrado aqui e ressuscitou três dias depois!  

NOTA FÚNEBRE

O JACOB vai colocar um anúncio no jornal.
– Gostaria de colocar um nota fúnebre do morte de meu esposa, diz ao atendente.
– Pois não, quais são os dizeres?
– Sara morreu!
– Só isso? ­– espanta-se o rapaz.
– Sim, Jacob não quer gastar muito.
– Mas o preço mínimo permite até 5 palavras.
– Então coloca: “Sara morreu. Vendo Monza 94”.


DIPLOMACIA

O VELHINHO está nas últimas. O padre está ao seu lado, para dar-lhe a extrema-unção. Ele lhe diz ao ouvido:– Antes de morrer, reafirme sua fé em nosso senhor Jesus Cristo e renegue o Demônio.
Mas o velhinho fica bem quieto.
– Por que você não quer renegar o Satanás?
O velhinho explica:
– Enquanto eu não souber ao certo para onde eu vou, não quero ficar mal com ninguém!


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013


ADIVINHE


1 - O que é que eu tenho, você tem e Adão não teve?
2 - Qual é o empregado que não deseja ser patrão?
3 - Qual é o pai que nunca teve filhos?
4 - O que é que se procura sem vontade de se encontrar?

ADIVINHE

RESPOSTAS

1 - O umbigo.
2 - O guia de cego.
3 - O que só teve filhas.
4 - Buraco em rede de pesca.