quinta-feira, 31 de março de 2016

LUA EM AQUÁRIO


Giros que surgem num átimo em uma tela
Aparecem do nada como em uma astral projeção
Um corpo leonino quase despido, bailando em ondas se revela
Movimentos alucinantes despertando tesão
Aquário vibrando, inteiramente descontrolado,
Cavalo-marinho, corcel sendo conduzido por ágil mão
Aquário cada vez mais cheio
Lua em movimento, liquidificador de carne
Aquário cada vez mais cheio
Cintura de mola, machucando feito pilão
Anca que sobe e desce, desce e sobe, prazer chegando
Aquário cada vez mais cheio, transbordando
Galope desembestado, um gozo forte se aproximando
Orgasmo celestial, supremo nirvana
Aquário estravasa, gotas que eclodem, explosão
Aquário preenchido por uma Lua quase nua
Lua que dança sinuosa no céu, sublime perfeição

Dilton Cardoso

quarta-feira, 30 de março de 2016

terça-feira, 29 de março de 2016

AMOR DE LUA

                                    Sol: Quem escreveu isto?
                             Mago: Foi a Lua...
                             Sol: Como assim? A lua não escreve.
                             Mago: Esta não é qualquer lua. É uma Lua de carne e osso, que encanta o planeta Terra, as estrelas, o universo.
                             Sol: Que coisa linda que ela escreveu.
                             Mago: Muito linda. Escreveu para mim, o maior admirador da Lua, aquele que a ama o tempo todo, 25 horas por dia. Aquele que tem no seu brilho a inspiração divina. Aquele que a ama a cada segundo, a cada palavra digitada em uma tela, a cada melodia de sua voz de criança. Aquele que reinventou o mundo a partir de sua beleza de princesa. Aquele que era um mago, mas ficou escravo de seus encantos de fada. Aquele que não sabe como era a Terra antes de ela existir, antes de ela ofuscar com sua luz de Lua os raios do sol. Aquele que a ama além do desejo, além da carne, além da alma. Aquele que tem por ela um amor que transcende a vida e a morte. 

Dilton Cardoso

(dedicado a Luana Lima)

segunda-feira, 28 de março de 2016

LUAR DE SÁBADO



Um dia aguardado por muitos...

O início do fim de semana...

Para ele, logo que a conheceu, um tormento, uma maldição.

No sábado, ele, um corsário, a via entrar no galeão e singrar os mares em busca de aventuras, de emoções, de tesouros, de recompensas.

Era ela pisar no convés e o coração do marujo se encher de saudade, pois sabia que não iria mais vê-la neste dia. Restava apenas a visão alucinante de uma princesa pirata, vestida como uma deusa, pronta para caçar corações no alto-mar. Se voltaria cheia de tesouros, de recompensas, nunca se sabia. Sabia-se apenas que naqueles momentos de busca alguém a estaria esperando com o espírito corroído pela ausência.

O tempo passou e de maldito o sábado virou bendito.

Ela continuava a trajar suas roupas de felina, pronta para conquistar novas terras, novas cidades. Continuava a subir no barco para cruzar mares e oceanos, enfeitiçando todos em seu caminho, tal qual nereida de voz macia e hipnotizante, transformando em pedras seres incautos.

Entretanto, o regresso da princesa pirata se tornou mais doce que o néctar mais apreciado no Olimpo, desfrutado por deuses e semideuses. Bem ou mal, trazendo ou não tesouros, ela tinha o prazer de compartilhar com ele cada grão de tempo vivido alhures. Às vezes embevecida, gotas de tequila no sangue, outras não, ela o divertia contando as histórias vividas nestas aventuras marinhas. Noite a dentro, era encantador ouvir sua voz narrando situações, por vezes sem dizer coisa com coisa, mas de uma forma tão terna e engraçada que ele não desejava que o dia amanhecesse já domingo.

Agora, o sábado é um amigo que ele aguarda com ansiedade durante a semana, só para ter o prazer de receber de braços abertos sua princesa pirata e toda sua carga de tesouros ou de tragédias encontradas no caminho por mares e oceanos bravios. Bendito luar de sábado que, no corpo de uma princesa pirata, deixa o mar com destino a um corsário, bobo da corte de sua alteza.

Dilton Cardoso

quinta-feira, 24 de março de 2016

LUA NUA


Ninguém tira coelhos da cartola como a nua Lua
Mágica, sabe como encantar-me com seus segredos
Fada, envolve-me em seus feitiços mais sedutores
Sussurante, atira-me na toca e me enche de folguedos
Sorridente, carrega-me em risos aos seus cobertores
Ninguém tira coelhos da cartola como a Lua nua

Dilton Cardoso
(Feliz Páscoa)


quarta-feira, 23 de março de 2016

SONHO



















Cochilei
Sonhei com você
Um sonho gostoso
Acordei molhado
Afinal, você é Lua ou chuva?

Dilton Cardoso


segunda-feira, 21 de março de 2016

BRILHO PRATA


O que esconde na noite sideral o negro manto?
Oculta o sol, porém descerra uma Lua fogosa
Menina pálida no firmamento, recheada de encanto
Atraente em seus brilhos, ardente e sinuosa

A luz do sol ilumina e aquece o dia
E a Lua ilumina e enfeitiça a noite
Eu me ilumino quando tu chegas, ainda que tardia
E tu compreendes que irei te tratar sem açoite

Tu sabes a minha história, mas bem breve
A tua, conheço mais, mas não demais
Só sei que tu nasceste para me dar febre,
Seja em Centígrados, Fahrenheit ou algo mais

Teu brilho prata é um chamado de outro mundo
Torna as noites quentes, mas também deliciosas
São turvos sonhos, fantasias, desejo profundo
Alimentando aventuras, sensações perigosas 



Dilton Cardoso


quinta-feira, 17 de março de 2016

quarta-feira, 16 de março de 2016

ÁGUAS DE MARÇO




Águas de mar, águas de março...
Águas que escorrem do céu arrastando corações apaixonados
Águas de prazer que descem e surgem como encanto numa tela
Aparelhos conectados, órgãos alterados

Letras que formam palavras, frases, e aceleram neurônios e nervos
A magia contagiante do amor que tudo incendeia
A aura do sexo surgindo aparentemente do nada em noites sombrias
Escuridão que vira desejo ardente, chama que tudo clareia

Flechas disparadas de um app, libidos atingidas por setas em traço
Um êxtase que cresce a cada segundo, a cada toque inteligente
Toques que agitam a pele, a pélvis, o ente

Contatos imediatos que se multiplicam, tesão ascendente
Resultado tão esperado das águas de março
Envolvendo e enlevando dois seres em orgasmo no espaço

Dilton Cardoso