* Um cantinho de diversão, trazendo poesia, cultura, humor e coisas diversas. Aqui o mundo mágico, dedicado à Lua, é indestrutível. Atualizado semanalmente. Comente e colabore!
terça-feira, 8 de março de 2016
SEGUINDO ESTRELAS (OU LUA?) Paralamas do Sucesso
Sigo palavras e busco estrelas
O que é que o mundo fez
Pra você rir assim
Pra não tocá-la, melhor nem vê-la
Como é que você pôde se perder de mim
Faz tanto frio, faz tanto tempo
Que no meu mundo algo se perdeu
Te mando beijos
Em outdoors pela avenida
E você sempre tão distraída
Passa e não vê, não vê
Fico acordado noites inteiras
Os dias parecem não ter mais fim
E a esfinge da espera
Olhos de pedra sem pena de mim
Faz tanto frio, faz tanto tempo
Que no meu mundo algo se perdeu
Te mando beijos
Em outdoors pela avenida
Você sempre tão distraída
Passa e não vê, e não vê
Já não consigo não pensar em você
Já não consigo não pensar em você
segunda-feira, 7 de março de 2016
FOGO
Se eu pudesse pensar em ti
Sem vontade
de querer chorar
Sem pensar
em querer morrer
Nem pensar
em querer voltar
Essa dor que
eu sinto agora
É uma dor
que não tem nome
Que meu
peito devora, e come, e fere, e maltrata
Sem matar
Ah! Amor tão querido
Consome meu ser
nas chamas da paixão
Meu amor é o
fogo, é o fogo, é o fogo
É o fogo dos
teus olhos tição
Dilton Cardoso
sexta-feira, 4 de março de 2016
TRÊS GRANDES LIÇÕES...
NÃO JULGUE ATÉ SABER A INTENÇÃO DO OUTRO
Numa época em que um sorvete custava muito menos do
que hoje, um menino de 10 anos entrou na lanchonete de um hotel e sentou-se a
uma mesa.
Uma garçonete apresentou-se para atender ao pedido. Ele quis saber o preço do sundae.
– 50 centavos – respondeu a garçonete.
O menino puxou as moedas do bolso e começou a
contá-las.
– Bem, quanto custa o sorvete simples? –
questionou.
A essa altura, mais pessoas estavam esperando por
uma mesa e a garçonete, perdendo a paciência, respondeu de maneira brusca.
– 35 centavos.
O menino, mais uma vez, contou as moedas e disse:
– Eu vou querer, então, o sorvete simples.
A garçonete trouxe o sorvete simples, a conta,
colocou na mesa e saiu.
O menino acabou o sorvete, pagou a conta no caixa e
saiu.
Quando voltou, a garçonete começou a chorar à
medida que ia limpando a mesa, pois ali, do lado do prato, havia 15 centavos em
moedas, ou seja, o menino não pediu o sundae porque ele queria que sobrasse a
gorjeta da garçonete.
Há muitos anos, um rei colocou uma pedra enorme no meio de uma estrada e ficou escondido observando para ver se alguém tiraria a imensa rocha do caminho.
Alguns mercadores e homens muito ricos do reino passaram por ali e simplesmente deram a volta pela pedra. Alguns até esbravejaram contra o rei dizendo que ele não mantinha as estradas limpas, mas nenhum deles tentou sequer mover a pedra dali.
De repente, passa um camponês com uma boa carga de vegetais.
Ao se aproximar da imensa rocha, ele pôs de lado a sua carga e tentou remover a rocha dali.
Após muita força e suor, ele finalmente conseguiu mover a pedra para o lado
da estrada. Ele então voltou para pegar sua carga de vegetais, mas notou que havia uma bolsa no local onde estava a pedra. A bolsa continha muitas moedas de ouro e uma nota escrita pelo rei que dizia que o ouro era para a pessoa que tivesse removido a pedra do caminho.
O camponês aprendeu o que muitos de nós nunca entendemos:
“Todo obstáculo contém uma oportunidade para melhorarmos nossa condição”.
COMPREENSÃO E ATITUDE SÃO TUDO
Um médico voluntário trabalhava em um hospital quando
conheceu uma menininha chama Liz, que sofria de uma terrível e rara doença. A
única chance de recuperação para ela parecia ser através de uma transfusão de
sangue do irmão mais velho, de apenas 5 anos que, milagrosamente, tinha
sobrevivido à mesma doença e parecia ter, então, desenvolvido anticorpos
necessários para combatê-la. O médico explicou toda a situação para o menino e
perguntou se ele aceitava doar o sangue dele para a irmã. O médico viu o menino hesitar um
pouco, mas, depois de uma profunda respiração, ele disse:
–
Tá certo, eu topo!
A
transfusão foi progredindo e ele, deitado na cama ao lado da cama da irmã, sorria,
assim como nós também, ao ver as bochechas dela voltarem a ter cor. De repente,
o sorriso dele desapareceu. Ele olhou para o médico e perguntou com a voz
trêmula:
–
Eu vou morrer logo, logo?
Por
ser tão pequeno e novo, o menino tinha interpretado mal as palavras do médico: ele
pensou que teria que dar todo o sangue dele para salvar a irmã. Pois é, compreensão
e atitude são tudo…
quinta-feira, 3 de março de 2016
DOIS
PONTOS
Era ainda jovem, rebelde e se envolveu com muitos caracteres (alguns deles maus-caracteres). Conheceu o i, não deu certo, era muito imbecil. Conheceu o j, foi um saco, era jovem demais, muito juvenil. Conheceu a interjeição (!), foram felizes por um tempão, mas não deram certo não; a interjeição não aceitava indagação e se transformou numa interrogação. Com tal questão sobre si, o ponto resolveu sair por aí. E conheceu a vírgula. Era muito boa companheira, mas sempre que se juntavam, se desentendiam; a vírgula queria continuar, o ponto querendo de vez parar. E, desse ponto de vista, ponto e vírgula não deram certo.
Depois dessa, o ponto dormiu no ponto e não quis se envolver com mais ninguém. Se alguma letra quisesse com outra se juntar, lá vinha o ponto a parar. Era um estraga prazeres, acabava sempre com a última palavra e terminava a sentença. Estava muito rebelde o ponto. Fazia o que queria. Se alguém quisesse dizer: “Eu te amo”, pronto, o ponto aparecia antes que um nome surgisse.
A vida estava ficando fora de tom para o ponto. Como queria conhecer alguém interessante!
Mas, um belo dia, apareceu alguém igualzinho ao ponto. Era um outro ponto. Cara de um, ponto do outro. Foi amor à primeira teclada. O ponto olhou para o outro e no coração sentiu uma pontada. Assim, se uniram com muito amor, formando dois pontos. E como se davam bem. Jamais cortavam a dos outros. Desde que se uniram, sempre deixavam que as letras falassem mais, pois, ao invés do ponto solitário, que parecia um sinal vermelho, interrompendo o fluxo das frases, eles juntos exigiam complemento. Foi uma união completa.
Foi uma união tão completa que esta história de amor não poderia ter um ponto final. Não. Pois quando dois pontos se unem, todos sabem o que acontece:
Dilton Cardoso
quarta-feira, 2 de março de 2016
O RUGIDO
– Não entre aí, moço. É perigoso!
O grito ecoou do nada, como se oriundo das aragens de uma manhã recém-saída da madrugada, fugindo da escuridão da noite, nas cercanias de São Roque, interior de São Paulo.
– Calma, só vou olhar..., – respondeu procurando de onde saíra o conselho.
À frente do jovem, a alguns metros, uma arena de pedras, imensas como as que formam um castelo, com uma porta de jacarandá. Acima do puxador de bronze, uma inscrição que advertia: “Não entre. Este lugar esconde mistérios e uma leoa ferida”.
O moço não se amedrontou. Puxou a porta e observou. A visão era magnífica. Uma selva densa, cheia de árvores frondosas, muitas flores, animais de todo tipo. Sombria e atraente, embora deixasse no ar um cheiro forte de perigo, de medo.
O jovem, espírito guerreiro, invadiu o espaço. O portal se fechou atrás dele.
Fascinado, esgueirou-se pelas trilhas em busca de novidades.
Quando passava por uma clareira, ouviu um forte rugido. Seu coração disparou, adrenalina pura. Entrara ali sem escudos, sem armas, estava à mercê da situação.
Um belo animal, forte, fulgurante, semelhante a Aslam, em Nárnia, lançou-se sobre ele, jogando-o ao chão.
O grito da leoa não tinha segredos. Ao tempo em que o arranhava com suas garras afiadas, aparente desprezo pelos homens, que costumava devorar sem piedade, emitia no olhar um pedido: “Vem comigo. Fica comigo. ”
O rapaz lembrou-se imediatamente daquele felino, ao olhar profundamente em seus olhos negros como a noite. Uma recordação instantânea atingiu-lhe os neurônios, enfeitiçando o seu coração. Vidas passadas, um amor de um leão e uma leoa, formas humanas, duas criaturas sujeitas às mazelas da vida de um planeta da Via Láctea. Amores mal resolvidos haviam deixado aquele maravilhoso espécime da fauna sangrando, feridas abertas no tempo, enclausurado naquele espaço misterioso e reservado, fechado a qualquer investida cromossômica XY.
Recordou-se de que tentou resgatar sua infância felina naquele intervalo ido, encoberto pelas passagens de Cronos. Atirou flechas e mais flechas, Cupido incansável, mas acabou vítima de uma das suas próprias setas, calcanhar de Aquiles descoberto.
Suas falas apaixonadas (“Pomba minha, que anda pelas fendas das penhas, no oculto das ladeiras, mostra-me o teu semblante, faze-me ouvir a tua voz; porque a tua voz é doce, e o teu semblante formoso, deixa-me devolver-lhe a inocência perdida”; “Como és formosa amada minha, eis que és formosa! Os teus olhos são como pombas por detrás do teu véu; o teu cabelo é como cascata cristalina, refletindo luz nos olhos de quem o vê; os teus lábios destilam o mel, fera minha; mel e leite estão debaixo da tua língua, e o cheiro dos teus vestidos é como o cheiro da inocente paixão”), todo o seu amor, toda a sua dedicação, não desaguaram no mar e ele acabou incendiado por sua própria paixão. A morte foi sua fiel companheira e o levou para longe da amada, sem demovê-la da sua rocha, peito cristalizado, vítima de Medusos.
Mas agora o passado regressava com força, a força de uma leoa enclausurada. O tempo passou e, fora da esfera das horas, ela acabou sucumbindo aos apelos do jovem-leão, esvanecido naquele átimo, vítima de sua própria luta para retirar-lhe as pedras depositadas em seu coração. Qual guerreiro dedicado, tentara abrir-lhe o peito à espada, mas não localizara as feridas que gostaria de cauterizar, suavizar, curar. Sem sucesso e sem vida, afinal.
Mas agora o passado regressava, na forma do rapaz que entrara na sua abóbada, reconhecido de vidas passadas. E a frase ecoava em toda a mata: “Vem comigo. Fica comigo”.
Os deuses do amor têm as suas tragédias, as suas ciladas. Ele realmente amava a doce leoa, porém ela chegara no momento errado. Nenhum átomo de seu corpo mentia sobre isso, mas sentia-se num despenhadeiro. Apesar de novo no espírito, não era mais tão jovem, estava casado, tinha filho, e uma ética moral crucificante. Como poderia encarar mãe, filho, parentes, largando o mundo lá fora e ficando no bosque? Tinha uma vida lá fora sim. Mãe, mulher, filhos, mas como resistir a um pedido feito pelo amor? Maldição do destino. Como dizer não a tudo sem desafiar os seus limites? E como renunciar a um desejo do coração? Questões sem respostas para um amor que fugiu ao controle do tempo, que chegou inesperadamente, numa hora equivocada. Amarras grossas segurando um Titanic. Forte veneno, letal, seja a solução de todos estes males.
Ele abraçou fortemente a leoa, beijou-a intensamente, entregou-se ao Nirvana com ela em prazeres colossais, mas tinha que deixar a arena. Olhos marejados, coração arfando, querendo sair do peito, não conseguia dar a resposta que ela gostaria de ouvir. E certamente ela pensaria: “Desgraçado... igual aos outros. Não me ama de verdade. Não o suficiente para largar tudo e ficar comigo”.
Sim. Entretanto, nenhum deus onipresente, daqueles que conseguem ler pensamentos e o coração humano, iria negar que ele a amava.
Ele certamente iria sair da selva, da arena, mas com o coração apertado, o medo de perder a criatura querida. Assim, só sabia dizer repetidamente à sua leoa: “Por favor, pelos deuses, pelo que você mais acredita na vida, não feche a porta para mim. Suprema deusa, deixe-me vê-la sempre. Quem sabe um dia, talvez em outra vida, enfim a gente fique juntos para toda a eternidade. Pois o corpo não é mais do que uma casca, que um dia liberará o espírito dos amantes, como Romeu e Julieta, que no éter se juntaram um dia. A verdade do meu amor um dia vencerá minhas fraquezas humanas”.
A história não termina aqui. Só os deuses do amor podem prever seu desfecho. Nenhum profeta, nenhum adivinho, seria capaz de tomar as rédeas do tempo para saber em que lugar os mundos podem se juntar. Ou se nunca vão se juntar. A tragédia não queira tomar conta destes seres tão apaixonados, que um dia quiseram se ajudar, se amar, se achar. Oxalá eles achem caminhos que se unam sempre, independentemente de qual página do livro da vida estejam, não importa se virtual ou real, mágico ou terreno.
Dilton Cardoso
Dilton Cardoso
LUANA LUA LUAMA
Rosto de cetim no encontro com o fim
Sorvete de morango rosa
Pele quente calorosa
Mata minha sede de amor
Lábios J'Adore desabrochando
Manhã de orvalho, orgasmo chegando
Cabelos teia, mulher aranha
Apanha-me na sua seda, ceda
A uma magia nada estranha
Pelos
Pelos seus pelos sumo
Sinto o seu sumo
Suma gata sudanesa
Sirva-se à mesa
Seja minha sobremesa
Estou no seu cristalino
Envolva-me no ar
Ah! Eu me desvio nas curvas que vejo
No seu vestido me perco, sumo
Suma deusa Luana
Leve-me para o seu altar
Dilton Cardoso
sexta-feira, 13 de março de 2015
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
Bolsa Família
DOIS jovens conversam pela internet:
Ela: Oi.
Ele: Oi.
Ela: Tem quantos anos?
Ele: 19.
Ela: Mora onde?
Ele: São Paulo.
Ela: Têm filhos?
Ele: Qual é? Quer me conhecer ou me cadastrar no Bolsa Família?
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
E tudo mudou…
O rouge virou blush
O pó-de-arroz virou pó-compacto
O brilho virou gloss
O pó-de-arroz virou pó-compacto
O brilho virou gloss
O rímel virou máscara incolor
A Lycra virou stretch
Anabela virou plataforma
O corpete virou porta-seios
Que virou sutiã
Que virou lib
Que virou silicone
A Lycra virou stretch
Anabela virou plataforma
O corpete virou porta-seios
Que virou sutiã
Que virou lib
Que virou silicone
A peruca virou aplique, interlace, megahair, alongamento
A escova virou chapinha
“Problemas de moça” viraram TPM
Confete virou M&M’s
A escova virou chapinha
“Problemas de moça” viraram TPM
Confete virou M&M’s
A crise de nervos virou estresse
A chita virou viscose.
A purpurina virou glitter
A brilhantina virou mousse
A chita virou viscose.
A purpurina virou glitter
A brilhantina virou mousse
Os halteres viraram bomba
A ergométrica virou spinning
A tanga virou fio dental
E o fio dental virou anti-séptico bucal
A ergométrica virou spinning
A tanga virou fio dental
E o fio dental virou anti-séptico bucal
Ninguém mais vê…
Ping-Pong virou Babaloo
O a-la-carte virou self-service
O a-la-carte virou self-service
A tristeza, depressão
O espaguete virou Miojo pronto
A paquera virou pegação
A gafieira virou dança de salão
O espaguete virou Miojo pronto
A paquera virou pegação
A gafieira virou dança de salão
O que era praça virou shopping
A areia virou ringue
A caneta virou teclado
O long play virou CD
A areia virou ringue
A caneta virou teclado
O long play virou CD
A fita de vídeo é DVD
O CD já é MP3
É um filho onde éramos seis
O álbum de fotos agora é mostrado por e-mail
O CD já é MP3
É um filho onde éramos seis
O álbum de fotos agora é mostrado por e-mail
O namoro agora é virtual
A cantada virou torpedo
E do “não” não se tem medo
O break virou street
A cantada virou torpedo
E do “não” não se tem medo
O break virou street
O samba, pagode
O carnaval de rua virou Sapucaí
O folclore brasileiro, halloween
O piano agora é teclado, também
O carnaval de rua virou Sapucaí
O folclore brasileiro, halloween
O piano agora é teclado, também
O forró de sanfona ficou eletrônico
Fortificante não é mais Biotônico
Bicicleta virou bike
Polícia e ladrão virou counter strike
Fortificante não é mais Biotônico
Bicicleta virou bike
Polícia e ladrão virou counter strike
Folhetins são novelas de TV
Fauna e flora a desaparecer
Lobato virou Paulo Coelho
Caetano virou um chato
Fauna e flora a desaparecer
Lobato virou Paulo Coelho
Caetano virou um chato
Chico sumiu da FM e TV
Baby se converteu
RPM desapareceu
Elis ressuscitou em Maria Rita?
Gal virou fênix
Raul e Renato,
Cássia e Cazuza,
Lennon e Elvis,
Todos anjos
Agora só tocam lira…
Baby se converteu
RPM desapareceu
Elis ressuscitou em Maria Rita?
Gal virou fênix
Raul e Renato,
Cássia e Cazuza,
Lennon e Elvis,
Todos anjos
Agora só tocam lira…
A AIDS virou gripe
A bala antes encontrada agora é perdida
A violência está coisa maldita!
A bala antes encontrada agora é perdida
A violência está coisa maldita!
A maconha é calmante
O professor é agora o facilitador
As lições já não importam mais
A guerra superou a paz
E a sociedade ficou incapaz…
O professor é agora o facilitador
As lições já não importam mais
A guerra superou a paz
E a sociedade ficou incapaz…
… De tudo.
Inclusive de notar essas diferenças
LUIS FERNANDO VERÍSSIMO
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