CHUVA INCESSANTE
(Poema escrito nos tempos da Sibéria)
Chove
lá fora
Na verdade não é lá fora
É dentro, dentro do peito
Uma chuva incessante, como agora
Às vezes intensa, outras não,
meio sem jeito
A
cartola transbordou de fel
A magia virou saudade louca
Sem estrelas, sem lua, sem céu
Silêncio
que vem, ausência de boca
O
celular é um mau, um mausoléu
Caixão fechado, sons sem sentido
Toques que nada significam, ao léu
Antes nunca tivesse existido
No
ar, nenhum bem-estar
Talvez só uma pífia esperança que dança
Um balé desajeitado, na chuva, sem
parar
Que oxalá sob uma lua
mais mansa
Uma voz há de voltar
Dilton Cardoso