quarta-feira, 9 de março de 2016

terça-feira, 8 de março de 2016

RIOS DE LÁGRIMAS


A noite chega cruel, sem piedade
No escuro, garras felinas arranham um peito amado
Turbilhão de imagens, desejos, saudade
um mago que virou bobo, desolado

Dos olhos, gotas que viram rios de lágrimas
Que correm por ruas, cobrem vales e avenidas
À toa, sem encontrar uma doce voz amiga
No WhatsApp desinstalado, as esperanças perdidas

Afinal, de que adiantam rios de lágrimas, enchentes de emoção?
Que efeito águas doloridas podem ter em algum ponto do planeta?
Desconsolo, descompasso, um menino que não sabe lidar com as coisas do coração
Melhor deixá-la livre, voar, seguir, pois este é o destino da borboleta...

Dilton Cardoso



SEGUINDO ESTRELAS (OU LUA?) Paralamas do Sucesso






Sigo palavras e busco estrelas
O que é que o mundo fez
Pra você rir assim
Pra não tocá-la, melhor nem vê-la
Como é que você pôde se perder de mim
Faz tanto frio, faz tanto tempo
Que no meu mundo algo se perdeu
Te mando beijos
Em outdoors pela avenida
E você sempre tão distraída
Passa e não vê, não vê

Fico acordado noites inteiras
Os dias parecem não ter mais fim
E a esfinge da espera
Olhos de pedra sem pena de mim
Faz tanto frio, faz tanto tempo
Que no meu mundo algo se perdeu
Te mando beijos
Em outdoors pela avenida
Você sempre tão distraída
Passa e não vê, e não vê

Já não consigo não pensar em você
Já não consigo não pensar em você

segunda-feira, 7 de março de 2016

FOGO





























Se eu pudesse pensar em ti
Sem vontade de querer chorar
Sem pensar em querer morrer
Nem pensar em querer voltar

Essa dor que eu sinto agora
É uma dor que não tem nome
Que meu peito devora, e come, e fere, e maltrata
Sem matar

Ah! Amor tão querido
Consome meu ser nas chamas da paixão
Meu amor é o fogo, é o fogo, é o fogo
É o fogo dos teus olhos tição

Dilton Cardoso


sexta-feira, 4 de março de 2016

TRÊS GRANDES LIÇÕES...

NÃO JULGUE ATÉ SABER A INTENÇÃO DO OUTRO

Numa época em que um sorvete custava muito menos do que hoje, um menino de 10 anos entrou na lanchonete de um hotel e sentou-se a uma mesa.
Uma garçonete apresentou-se para atender ao pedido. Ele quis saber o preço do sundae.
– 50 centavos – respondeu a garçonete.
O menino puxou as moedas do bolso e começou a contá-las.
– Bem, quanto custa o sorvete simples? – questionou.
A essa altura, mais pessoas estavam esperando por uma mesa e a garçonete, perdendo a paciência, respondeu de maneira brusca.
– 35 centavos.
O menino, mais uma vez, contou as moedas e disse:
– Eu vou querer, então, o sorvete simples.
A garçonete trouxe o sorvete simples, a conta, colocou na mesa e saiu.
O menino acabou o sorvete, pagou a conta no caixa e saiu.
Quando voltou, a garçonete começou a chorar à medida que ia limpando a mesa, pois ali, do lado do prato, havia 15 centavos em moedas, ou seja, o menino não pediu o sundae porque ele queria que sobrasse a gorjeta da garçonete.

A OPORTUNIDADE PODE ESTAR NOS OBSTÁCULOS.

Há muitos anos, um rei colocou uma pedra enorme no meio de uma estrada e ficou escondido observando para ver se alguém tiraria a imensa rocha do caminho.
Alguns mercadores e homens muito ricos do reino passaram por ali e simplesmente deram a volta pela pedra. Alguns até esbravejaram contra o rei dizendo que ele não mantinha as estradas limpas, mas nenhum deles tentou sequer mover a pedra dali.
De repente, passa um camponês com uma boa carga de vegetais.
Ao se aproximar da imensa rocha, ele pôs de lado a sua carga e tentou remover a rocha dali.
Após muita força e suor, ele finalmente conseguiu mover a pedra para o lado
da estrada. Ele então voltou para pegar sua carga de vegetais, mas notou que havia uma bolsa no local onde estava a pedra. A bolsa continha muitas moedas de ouro e uma nota escrita pelo rei que dizia que o ouro era para a pessoa que tivesse removido a pedra do caminho.
O camponês aprendeu o que muitos de nós nunca entendemos:
“Todo obstáculo contém uma oportunidade para melhorarmos nossa condição”.


COMPREENSÃO E ATITUDE SÃO TUDO


Um médico voluntário trabalhava em um hospital quando conheceu uma menininha chama Liz, que sofria de uma terrível e rara doença. A única chance de recuperação para ela parecia ser através de uma transfusão de sangue do irmão mais velho, de apenas 5 anos que, milagrosamente, tinha sobrevivido à mesma doença e parecia ter, então, desenvolvido anticorpos necessários para combatê-la. O médico explicou toda a situação para o menino e perguntou se ele aceitava doar o sangue dele para a irmã. O médico viu o menino hesitar um pouco, mas, depois de uma profunda respiração, ele disse:
– Tá certo, eu topo!
A transfusão foi progredindo e ele, deitado na cama ao lado da cama da irmã, sorria, assim como nós também, ao ver as bochechas dela voltarem a ter cor. De repente, o sorriso dele desapareceu. Ele olhou para o médico e perguntou com a voz trêmula:
– Eu vou morrer logo, logo?
Por ser tão pequeno e novo, o menino tinha interpretado mal as palavras do médico: ele pensou que teria que dar todo o sangue dele para salvar a irmã. Pois é, compreensão e atitude são tudo…

quinta-feira, 3 de março de 2016

DOIS PONTOS


Era uma vez um ponto. Ponto que era muito irrequieto e vivia à procura de companhia. Vivia num mundo de papel, habitado por letras e caracteres que nem sempre compunham bem. Nasceu de uma divisão (÷). O pai foi para um lado (.), a mãe foi para outro (-), mas ficou ao seu lado. No entanto, ele ficou por baixo (.). Sentiu necessidade de companhia nesse destino traçado.

Era ainda jovem, rebelde e se envolveu com muitos caracteres (alguns deles maus-caracteres). Conheceu o i, não deu certo, era muito imbecil. Conheceu o j, foi um saco, era jovem demais, muito juvenil. Conheceu a interjeição (!), foram felizes por um tempão, mas não deram certo não; a interjeição não aceitava indagação e se transformou numa interrogação. Com tal questão sobre si, o ponto resolveu sair por aí. E conheceu a vírgula. Era muito boa companheira, mas sempre que se juntavam, se desentendiam; a vírgula queria continuar, o ponto querendo de vez parar. E, desse ponto de vista, ponto e vírgula não deram certo.

Depois dessa, o ponto dormiu no ponto e não quis se envolver com mais ninguém. Se alguma letra quisesse com outra se juntar, lá vinha o ponto a parar. Era um estraga prazeres, acabava sempre com a última palavra e terminava a sentença. Estava muito rebelde o ponto. Fazia o que queria. Se alguém quisesse dizer: “Eu te amo”, pronto, o ponto aparecia antes que um nome surgisse.

A vida estava ficando fora de tom para o ponto. Como queria conhecer alguém interessante!

Mas, um belo dia, apareceu alguém igualzinho ao ponto. Era um outro ponto. Cara de um, ponto do outro. Foi amor à primeira teclada. O ponto olhou para o outro e no coração sentiu uma pontada. Assim, se uniram com muito amor, formando dois pontos. E como se davam bem. Jamais cortavam a dos outros. Desde que se uniram, sempre deixavam que as letras falassem mais, pois, ao invés do ponto solitário, que parecia um sinal vermelho, interrompendo o fluxo das frases, eles juntos exigiam complemento. Foi uma união completa.

Foi uma união tão completa que esta história de amor não poderia ter um ponto final. Não. Pois quando dois pontos se unem, todos sabem o que acontece:

Dilton Cardoso

quarta-feira, 2 de março de 2016

O RUGIDO

Primeiras horas do dia, às 5h02min, uma planície deserta em algum ponto do planeta Terra.
 Não entre aí, moço. É perigoso!
O grito ecoou do nada, como se oriundo das aragens de uma manhã recém-saída da madrugada, fugindo da escuridão da noite, nas cercanias de São Roque, interior de São Paulo.
 Calma, só vou olhar..., – respondeu procurando de onde saíra o conselho.
À frente do jovem, a alguns metros, uma arena de pedras, imensas como as que formam um castelo, com uma porta de jacarandá. Acima do puxador de bronze, uma inscrição que advertia: “Não entre. Este lugar esconde mistérios e uma leoa ferida”.
O moço não se amedrontou. Puxou a porta e observou. A visão era magnífica. Uma selva densa, cheia de árvores frondosas, muitas flores, animais de todo tipo. Sombria e atraente, embora deixasse no ar um cheiro forte de perigo, de medo.
O jovem, espírito guerreiro, invadiu o espaço. O portal se fechou atrás dele.
Fascinado, esgueirou-se pelas trilhas em busca de novidades.
Quando passava por uma clareira, ouviu um forte rugido. Seu coração disparou, adrenalina pura. Entrara ali sem escudos, sem armas, estava à mercê da situação.
Um belo animal, forte, fulgurante, semelhante a Aslam, em Nárnia, lançou-se sobre ele, jogando-o ao chão.
O grito da leoa não tinha segredos. Ao tempo em que o arranhava com suas garras afiadas, aparente desprezo pelos homens, que costumava devorar sem piedade, emitia no olhar um pedido: “Vem comigo. Fica comigo. ”
O rapaz lembrou-se imediatamente daquele felino, ao olhar profundamente em seus olhos negros como a noite. Uma recordação instantânea atingiu-lhe os neurônios, enfeitiçando o seu coração. Vidas passadas, um amor de um leão e uma leoa, formas humanas, duas criaturas sujeitas às mazelas da vida de um planeta da Via Láctea. Amores mal resolvidos haviam deixado aquele maravilhoso espécime da fauna sangrando, feridas abertas no tempo, enclausurado naquele espaço misterioso e reservado, fechado a qualquer investida cromossômica XY.
Recordou-se de que tentou resgatar sua infância felina naquele intervalo ido, encoberto pelas passagens de Cronos. Atirou flechas e mais flechas, Cupido incansável, mas acabou vítima de uma das suas próprias setas, calcanhar de Aquiles descoberto.
Suas falas apaixonadas (“Pomba minha, que anda pelas fendas das penhas, no oculto das ladeiras, mostra-me o teu semblante, faze-me ouvir a tua voz; porque a tua voz é doce, e o teu semblante formoso, deixa-me devolver-lhe a inocência perdida”; “Como és formosa amada minha, eis que és formosa! Os teus olhos são como pombas por detrás do teu véu; o teu cabelo é como cascata cristalina, refletindo luz nos olhos de quem o vê; os teus lábios destilam o mel, fera minha; mel e leite estão debaixo da tua língua, e o cheiro dos teus vestidos é como o cheiro da inocente paixão”), todo o seu amor, toda a sua dedicação, não desaguaram no mar e ele acabou incendiado por sua própria paixão. A morte foi sua fiel companheira e o levou para longe da amada, sem demovê-la da sua rocha, peito cristalizado, vítima de Medusos.
Mas agora o passado regressava com força, a força de uma leoa enclausurada. O tempo passou e, fora da esfera das horas, ela acabou sucumbindo aos apelos do jovem-leão, esvanecido naquele átimo, vítima de sua própria luta para retirar-lhe as pedras depositadas em seu coração. Qual guerreiro dedicado, tentara abrir-lhe o peito à espada, mas não localizara as feridas que gostaria de cauterizar, suavizar, curar. Sem sucesso e sem vida, afinal.
Mas agora o passado regressava, na forma do rapaz que entrara na sua abóbada, reconhecido de vidas passadas. E a frase ecoava em toda a mata: “Vem comigo. Fica comigo”.
Os deuses do amor têm as suas tragédias, as suas ciladas. Ele realmente amava a doce leoa, porém ela chegara no momento errado. Nenhum átomo de seu corpo mentia sobre isso, mas sentia-se num despenhadeiro. Apesar de novo no espírito, não era mais tão jovem, estava casado, tinha filho, e uma ética moral crucificante. Como poderia encarar mãe, filho, parentes, largando o mundo lá fora e ficando no bosque? Tinha uma vida lá fora sim. Mãe, mulher, filhos, mas como resistir a um pedido feito pelo amor? Maldição do destino. Como dizer não a tudo sem desafiar os seus limites? E como renunciar a um desejo do coração? Questões sem respostas para um amor que fugiu ao controle do tempo, que chegou inesperadamente, numa hora equivocada. Amarras grossas segurando um Titanic. Forte veneno, letal, seja a solução de todos estes males.
Ele abraçou fortemente a leoa, beijou-a intensamente, entregou-se ao Nirvana com ela em prazeres colossais, mas tinha que deixar a arena. Olhos marejados, coração arfando, querendo sair do peito, não conseguia dar a resposta que ela gostaria de ouvir. E certamente ela pensaria: “Desgraçado... igual aos outros. Não me ama de verdade. Não o suficiente para largar tudo e ficar comigo”.
Sim. Entretanto, nenhum deus onipresente, daqueles que conseguem ler pensamentos e o coração humano, iria negar que ele a amava.
Ele certamente iria sair da selva, da arena, mas com o coração apertado, o medo de perder a criatura querida. Assim, só sabia dizer repetidamente à sua leoa: “Por favor, pelos deuses, pelo que você mais acredita na vida, não feche a porta para mim. Suprema deusa, deixe-me vê-la sempre. Quem sabe um dia, talvez em outra vida, enfim a gente fique juntos para toda a eternidade. Pois o corpo não é mais do que uma casca, que um dia liberará o espírito dos amantes, como Romeu e Julieta, que no éter se juntaram um dia. A verdade do meu amor um dia vencerá minhas fraquezas humanas”.
A história não termina aqui. Só os deuses do amor podem prever seu desfecho. Nenhum profeta, nenhum adivinho, seria capaz de tomar as rédeas do tempo para saber em que lugar os mundos podem se juntar. Ou se nunca vão se juntar. A tragédia não queira tomar conta destes seres tão apaixonados, que um dia quiseram se ajudar, se amar, se achar. Oxalá eles achem caminhos que se unam sempre, independentemente de qual página do livro da vida estejam, não importa se virtual ou real, mágico ou terreno.

Dilton Cardoso

LUANA LUA LUAMA


Pérolas negras surgem ao sol se pôr
Rosto de cetim no encontro com o fim
Sorvete de morango rosa
Pele quente calorosa
Mata minha sede de amor

Lábios J'Adore desabrochando
Manhã de orvalho, orgasmo chegando
Cabelos teia, mulher aranha
Apanha-me na sua seda, ceda
A uma magia nada estranha

Pelos
Pelos seus pelos sumo
Sinto o seu sumo
Suma gata sudanesa
Sirva-se à mesa
Seja minha sobremesa

Estou no seu cristalino
Envolva-me no ar
Ah! Eu me desvio nas curvas que vejo
No seu vestido me perco, sumo
Suma deusa Luana
Leve-me para o seu altar

Dilton Cardoso

sexta-feira, 13 de março de 2015

MAFALDA


Pena que nossos políticos não tenham esses inquilinos dentro deles...

VONTADE