sábado, 15 de outubro de 2016

AREIA E PEDRA






Diz uma lenda árabe que dois amigos viajavam pelo deserto, quando, em determinado ponto da viagem, bastante cansados, um agrediu o outro. O ofendido, sem nada dizer, pegou o seu cajado e escreveu na areia:
"Hoje o meu melhor amigo me derrubou no chão".
Passado algum tempo, seguiram viagem pelo deserto, até chegar a um oásis. Lá, se banharam à vontade, até que o amigo que havia sido agredido começou a se afogar. O outro nadou até ele e o trouxe até a margem são e salvo. Foi quando o amigo resgatado pegou seu saibro e escreveu em uma pedra, cercada de vegetação:
"Hoje o meu melhor amigo salvou a minha vida".
O primeiro perguntou:
– Por que quando foi agredido, você escreveu seu sentimento na areia, e quando foi salvo escreveu na pedra?
O outro respondeu, sorrindo:
– Quando um grande amigo nos ofende, devemos registrar esse dano na areia para que o vento do esquecimento e do perdão se encarreguem de apagá-lo. Mas quando um amigo nos faz algo grandioso devemos registrar esse momento na pedra da memória e do coração, onde vento nenhum do mundo pode apagar.

Amigos de verdade não precisam se falar sempre. Não precisam se visitar sempre. Nossos amigos verdadeiros são aqueles que se alegram com as nossas vitórias. São os primeiros a serem solidários em nossos infortúnios.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

ECO



Sonhei que estava em uma montanha
Que no topo tinha uma caverna estranha.
Eu caminhava até ela
E como se fosse uma janela
Gritava seu nome incessante, um tagarela.

Bradava o seu nome alto, o mais alto que podia
Por mais que berrasse, eco não havia
E eu não entendia.

Passei minutos, horas, dias a urrar
E nada a escutar
Um silêncio sepulcral a me magoar.

Quando minha força já sumia
Um leve sussurro surgia
Um sopro de esperança se abria.

Como se a vida não fosse desprovida de alma
E um eco restituísse a minha calma.

Dilton Cardoso


quinta-feira, 13 de outubro de 2016

terça-feira, 11 de outubro de 2016

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

BEBÊ A BORDO DO SUBMARINO AMARELO



“This world is a yellow submarine, yellow submarine, yellow submarine”. A canção dos Beatles, que diz que o mundo é um submarino amarelo, não sai da minha cabeça. E eu entendo bem o que eles queriam dizer. O meu mundo é um submarino amarelo. Para ser mais exato, uma barriga amarela, a barriga amarela da minha mãe amarela.  Já são oito meses que eu estou neste submarino, louco para sair daqui e ver como é o mundo lá fora. Afinal, este é um submarino estranho: a água está dentro ao invés de estar fora. No entanto, é uma água superagradável e eu me sinto no paraíso, mesmo quando o submarino amarelo balança demais. É... a minha mãe, às vezes, parece que está brincando de bambolê.

Ouço ruídos lá fora. Mas só ouço ruídos: sons de liquidificadores, buzinas, campainhas... Parece que meu pai não é muito bom da bola. Vocês acreditam que ele fica contando histórias infantis para mim? Que tolo! Parece que tem miolo mole. Eu coloco o ouvido na parede do submarino, mas não escuto nada. Se eu pudesse gritar e ele me ouvir, eu daria uma bronca: “Ei, daddy, segure a onda. Guarde o fôlego para quando eu sair daqui”.

Minha mãe também não é lá muito certa da bola. Ela vive dizendo (é a única voz que ouço no momento) que estou chutando, que isso aqui (o submarino barriga) não é um campo de futebol, que o Palmeiras não está jogando. Ora bolas (bolas?!?? Chiii! Já estou ficando com a mania do futebol), eu não estou chutando... eu estou é querendo sair daqui. Êta submarino apertado levado da breca!

Quando eu botar a cabeça para o lado de fora garanto que vou tirar o atraso. Vou sair correndo por aí afora. Por sinal, ouvi a minha mãe falar que já ganhei um carrinho, um carrinho de bebê. Ela falou que é um carrinho bonitão, que vira cadeira e vira Moisés (sei lá o que é isso!). O primeiro carro a gente nunca esquece!

O carro é quase todo verde, paranoia do meu pai com o Palmeiras. Não importa. Até vou gostar. Quando eu estiver dentro dele, vou soltar os freios e sair por aí conhecendo as ruas, avenidas, ladeiras, becos... Vou querer ver como é tudo. Eu acho que vou gostar do mundo lá fora... O mundo lá fora... Será? Bem... e se eu não gostar? Ah! Tenho a opção dos Beatles (afinal meu nome tem Lennon: é David Lennon). Arranjo um fone de ouvidos sem fio, volto para o meu yellow submarine e fico escutando as lindas fábulas que só meu pai sabe contar.  

David Lenon, na barriga da mãe


Por Dilton Cardoso 

TE ADORO


quinta-feira, 6 de outubro de 2016

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

sexta-feira, 30 de setembro de 2016