segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

terça-feira, 18 de outubro de 2016

ÁGUAS AZUIS


                                                       
         Imagine que você está numa praia deserta. A brisa do mar sopra delicada sobre o seu corpo nu, semimergulhado nas águas azuis, esvoaçando seus cabelos cor de mel. A praia tem areias brancas e cristalinas, chegando a refletir os doces raios de sol sobre seus pequenos seios.
       De repente, ao longe, você presencia uma imagem se movimentando no verde-azulado do mar desta praia paradisíaca. Você divisa uma boia e uma barrica. Dentro da boia, vê um corpo e o balé de braços que nadam em direção à costa. É um náufrago que, afinal, encontrou a salvação num mar tão encantado.
       A imagem vai crescendo, se avolumando e logo você pode observar o que tanto a sua curiosidade atiçava. A uns 100 metros de distância do seu local, um homem, cansado da batalha com o mar, sai extenuado de dentro das águas e descansa. Antes, retira do mar a barrica de madeira, volume que trata com muito carinho.
       Curiosa, ainda mais curiosa, você abandona as águas e corre em direção ao homem do mar. Imagine que, logo após, você está próxima a ele. O corpo exausto do náufrago está na horizontal, de costas para o sol, restabelecendo-se da longa jornada. Mas ao ver aqueles pés colados aos seus olhos, ele desperta. O vento sopra calmo por entre seus cabelos, sua pele sente o calor da areia e a carícia da brisa marinha. Ergue os olhos, observa você e seu corpo. As forças do homem se recuperam. Levanta. Ele procura na mente confusa o espectro de um rosto conhecido ao olhar atentamente para você. Imagine que você está com medo agora.
       Por baixo da barba plantada pelo tempo, você também vê uma feição conhecida. Um frio intenso invade-lhe o ser. Seu coração se acelera. Mas a aceleração já não é de medo. Você já o reconhece.
       O homem se dirige para a barrica. Com imenso zelo, abre a parte superior. Enfia a mão dentro do recipiente e pega algo ao tempo em que se dirige até você. O que será? Você não viu, pois ele o ocultou às costas. Nem um sorriso no semblante cansado do rapaz. Apenas a determinação de andar passo a passo na sua direção. Próximo outra vez. Olhos nos olhos, brisa soprando, ele lhe estende a mão. Você inclina a cabeça e observa a palma da mão dele.
       Estrelas reluzem, cores se acendem, risos ecoam, música passeia ao vento no exato momento em que você vê um pequeno livro de poesias com capa de cetim bege, conservando ainda uma lua rosa na ponta e inexplicavelmente seco, sem ter sido afetado pela água do mar. Na lua, feita de papel duplex, duas curtas palavras: AMOR MÁGICO. Um precioso souvenir que o homem salvou da morte.
       Ele não morreu. Das águas azuis daquela praia, ele saiu com sua preciosa carga. O homem de tolo destino acabou se encaminhando ao seu amor perdido. Ali estava ele, você tão próxima de um beijo, de um carinho. Mas cansado da luta com o mar, com a vida, ele virou-se, fechou a mão com o pequeno livro e sumiu na praia.
       Imagine que você estática estava e estática ficou. Nem uma palavra, nenhum gesto, coração pulsando, medo, saudade, amor, uma estátua. Imagine que você não quis lutar. Limitou-se a observar um náufrago lutando com o mar. Balé de mãos nas águas azuis. A felicidade para você estava longe da barrica e do livreto, que mágico estava e mágico ficou nas mãos de um homem. Apenas mais um homem. Um homem de volta às águas azuis do mar de uma praia paradisíaca.

Dilton Cardoso


sábado, 15 de outubro de 2016

AREIA E PEDRA






Diz uma lenda árabe que dois amigos viajavam pelo deserto, quando, em determinado ponto da viagem, bastante cansados, um agrediu o outro. O ofendido, sem nada dizer, pegou o seu cajado e escreveu na areia:
"Hoje o meu melhor amigo me derrubou no chão".
Passado algum tempo, seguiram viagem pelo deserto, até chegar a um oásis. Lá, se banharam à vontade, até que o amigo que havia sido agredido começou a se afogar. O outro nadou até ele e o trouxe até a margem são e salvo. Foi quando o amigo resgatado pegou seu saibro e escreveu em uma pedra, cercada de vegetação:
"Hoje o meu melhor amigo salvou a minha vida".
O primeiro perguntou:
– Por que quando foi agredido, você escreveu seu sentimento na areia, e quando foi salvo escreveu na pedra?
O outro respondeu, sorrindo:
– Quando um grande amigo nos ofende, devemos registrar esse dano na areia para que o vento do esquecimento e do perdão se encarreguem de apagá-lo. Mas quando um amigo nos faz algo grandioso devemos registrar esse momento na pedra da memória e do coração, onde vento nenhum do mundo pode apagar.

Amigos de verdade não precisam se falar sempre. Não precisam se visitar sempre. Nossos amigos verdadeiros são aqueles que se alegram com as nossas vitórias. São os primeiros a serem solidários em nossos infortúnios.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

ECO



Sonhei que estava em uma montanha
Que no topo tinha uma caverna estranha.
Eu caminhava até ela
E como se fosse uma janela
Gritava seu nome incessante, um tagarela.

Bradava o seu nome alto, o mais alto que podia
Por mais que berrasse, eco não havia
E eu não entendia.

Passei minutos, horas, dias a urrar
E nada a escutar
Um silêncio sepulcral a me magoar.

Quando minha força já sumia
Um leve sussurro surgia
Um sopro de esperança se abria.

Como se a vida não fosse desprovida de alma
E um eco restituísse a minha calma.

Dilton Cardoso


quinta-feira, 13 de outubro de 2016

terça-feira, 11 de outubro de 2016

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

BEBÊ A BORDO DO SUBMARINO AMARELO



“This world is a yellow submarine, yellow submarine, yellow submarine”. A canção dos Beatles, que diz que o mundo é um submarino amarelo, não sai da minha cabeça. E eu entendo bem o que eles queriam dizer. O meu mundo é um submarino amarelo. Para ser mais exato, uma barriga amarela, a barriga amarela da minha mãe amarela.  Já são oito meses que eu estou neste submarino, louco para sair daqui e ver como é o mundo lá fora. Afinal, este é um submarino estranho: a água está dentro ao invés de estar fora. No entanto, é uma água superagradável e eu me sinto no paraíso, mesmo quando o submarino amarelo balança demais. É... a minha mãe, às vezes, parece que está brincando de bambolê.

Ouço ruídos lá fora. Mas só ouço ruídos: sons de liquidificadores, buzinas, campainhas... Parece que meu pai não é muito bom da bola. Vocês acreditam que ele fica contando histórias infantis para mim? Que tolo! Parece que tem miolo mole. Eu coloco o ouvido na parede do submarino, mas não escuto nada. Se eu pudesse gritar e ele me ouvir, eu daria uma bronca: “Ei, daddy, segure a onda. Guarde o fôlego para quando eu sair daqui”.

Minha mãe também não é lá muito certa da bola. Ela vive dizendo (é a única voz que ouço no momento) que estou chutando, que isso aqui (o submarino barriga) não é um campo de futebol, que o Palmeiras não está jogando. Ora bolas (bolas?!?? Chiii! Já estou ficando com a mania do futebol), eu não estou chutando... eu estou é querendo sair daqui. Êta submarino apertado levado da breca!

Quando eu botar a cabeça para o lado de fora garanto que vou tirar o atraso. Vou sair correndo por aí afora. Por sinal, ouvi a minha mãe falar que já ganhei um carrinho, um carrinho de bebê. Ela falou que é um carrinho bonitão, que vira cadeira e vira Moisés (sei lá o que é isso!). O primeiro carro a gente nunca esquece!

O carro é quase todo verde, paranoia do meu pai com o Palmeiras. Não importa. Até vou gostar. Quando eu estiver dentro dele, vou soltar os freios e sair por aí conhecendo as ruas, avenidas, ladeiras, becos... Vou querer ver como é tudo. Eu acho que vou gostar do mundo lá fora... O mundo lá fora... Será? Bem... e se eu não gostar? Ah! Tenho a opção dos Beatles (afinal meu nome tem Lennon: é David Lennon). Arranjo um fone de ouvidos sem fio, volto para o meu yellow submarine e fico escutando as lindas fábulas que só meu pai sabe contar.  

David Lenon, na barriga da mãe


Por Dilton Cardoso 

TE ADORO


quinta-feira, 6 de outubro de 2016

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

quinta-feira, 22 de setembro de 2016


EXCEPTIONAL
Jojo




quarta-feira, 21 de setembro de 2016


SAUDADE
Machado de Assis


quinta-feira, 15 de setembro de 2016


CHANGES

Charles Bradley

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

 

 

O Amor Antigo

O amor antigo vive de si mesmo,
não de cultivo alheio ou de presença.
Nada exige nem pede. Nada espera,
mas do destino vão nega a sentença.

O amor antigo tem raízes fundas,
feitas de sofrimento e de beleza.
Por aquelas mergulha no infinito,
e por estas suplanta a natureza.

Se em toda a parte o tempo desmorona
aquilo que foi grande e deslumbrante,
o antigo amor, porém, nunca fenece
e a cada dia surge mais amante.

Mais ardente, mas pobre de esperança.
Mais triste? Não. Ele venceu a dor,
e resplandece no seu canto obscuro,
tanto mais velho quanto mais amor.


Carlos Drummond de Andrade, in 'Amar se Aprende Amando'

quarta-feira, 27 de julho de 2016

COMO ESQUECER?


Ando zumbi pela rua
Missão cinematográfica
Esquecer uma pessoa mágica
Desapegar de uma Lua

Mas como esquecer?
Se olho à noite para o céu
Lá está a lua, lá está você

Se vejo uma imagem felina
Lembro de Bolota
Lembro de Nina

Se contemplo uma mão feminina
Lá estão suas unhas
Tratadas com imenso carinho
Unhas de menina

Se ouço uma voz de criança
Lá está você, voz de sereia
Doce lembrança

Se vejo um lindo prédio
Uma bela arquitetura
Lá vem você, não tem remédio

Se ouço uma música em espanhol
Lá está você, em cada nota,
Em cada ré, em cada lá, em cada sol

Já gastei todo o estoque de corretivo e borracha
Da Papel e Cia. e qualquer outra papelaria
Nada funciona, nada te despacha

Mais um tempo sem você
Que não consigo esquecer
Um mês e treze dias
As horas sempre vazias
Só há uma coisa a fazer
Enlouquecer

Dilton Cardoso

terça-feira, 26 de julho de 2016

This Time I Will Be Sweeter

Linda Lewis

(Esta canção surgiu na era glacial, tempos de muito gelo, tempos sem Lua. Repare na letra. Não vá chorar.)

segunda-feira, 25 de julho de 2016


Esta Soledad
(Maite Perroni)

A melodia veio ao meu encontro durante o exílio...


CHUVA INCESSANTE
(Poema escrito nos tempos da Sibéria)

Chove lá fora
    Na verdade não é lá fora
         É dentro, dentro do peito
              Uma chuva incessante, como agora
                   Às vezes intensa, outras não, meio sem jeito

A cartola transbordou de fel
       A magia virou saudade louca
               Sem estrelas, sem lua, sem céu
                    Silêncio que vem, ausência de boca

O celular é um mau, um mausoléu
      Caixão fechado, sons sem sentido
            Toques que nada significam, ao léu
                  Antes nunca tivesse existido

No ar, nenhum bem-estar
      Talvez só uma pífia esperança que dança
             Um balé desajeitado, na chuva, sem parar
                      Que oxalá sob uma lua mais mansa
                           Uma voz há de voltar


Dilton Cardoso

quarta-feira, 20 de julho de 2016


ASTRONAUTA DE MÁRMORE
Nenhum de Nós

terça-feira, 7 de junho de 2016

SOBRE O AMOR

 

                       Sobre o Amor - Khalil Gibran
                         (Poema dedicado à Lua)

segunda-feira, 6 de junho de 2016

CONTIGO


CONTIGO (Lua)
Maite Perroni

Contigo el cielo se vuelve mas claro
Se pintan las nubes de blanco y el
Sol vuelve a sonreir, solo contigo
El tiempo cobró un sentido y hoy que estás
Aqui conmigo, sé bien, mi vida nació contigo

Contigo, las horas se pasan de largo
Tus ojos me llenan de encanto
Y la luna brilla por ti
Solo contigo mis risas tienen sentido
Y hoy que estás aquí conmigo
Sé bien, mi vida nació contigo

Y sé que tienes un corazón valiente
Un alma fuerte y sé que caminaras sin
Miedo entre la gente y sé también
Si un mal llega a sorprenderte no temas
Porque tendrás por siempre mi amor
Para protegerte

Contigo, las horas se pasan de largo
Tus ojos me llenan de encanto
Y la luna brilla por ti
Solo contigo mis risas tienen sentido
Y hoy que estás aquí conmigo
Sé bien, mi vida nació contigo

Y sé que tienes un corazón valiente
Un alma fuerte y se que caminaras sin
Miedo entre la gente y se también
Si un mal llega a sorprenderte no temas
Porque tendrás por siempre mi amor
Para protegerte

Y se que tienes un corazón valiente
Un alma fuerte y se que caminaras sin
Miedo entre la gente y se también
Si un mal llega a sorprenderte no temas
Por que tendrás por siempre mi amor
Para protegerte

terça-feira, 31 de maio de 2016

SAUDADE


                         Lua e Nina, meus amores

Quando penso em você, me sinto flutuar,
me sinto alcançar as nuvens,
tocar as estrelas, a lua, morar no céu

Tento apenas superar
a imensa saudade que me arrasa o coração,
mas que vem junto com as doces lembranças do teu ser. 

É através desse tal sentimento, a saudade,
que sobrevivo quando estou longe de você.
Ela é o alimento do amor que encontra-se distante.

A delicadeza de tuas palavras
contrasta com a imensidão do teu sentimento.
Meu ciúme se abranda com tuas juras
e promessas de amor eterno.

A longa distância apenas serve para unir o nosso amor.
A saudade serve para me dar
a absoluta certeza de que ficaremos para sempre unidos.

E nesse momento de saudade,
quando penso em você,
eis que surge tua doce presença,
com o esplendor de um anjo;
e me envolvendo como uma suave brisa aconchegante.

Tudo isso acontece porque amo e penso em você.

William Shakespeare

sexta-feira, 27 de maio de 2016

IT WILL RAIN


Bruno Mars - It Will Rain 
(Boyce Avenue Cover) 


terça-feira, 24 de maio de 2016

FALANDO COM A LUA


Talking to the moon
Bruno Mars (Para a Lua, a pedido do mago)

segunda-feira, 23 de maio de 2016

ECLIPSE



Se você é a lua e eu sou o sol,
juntos seríamos um eclipse de amor.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

STAND BY ME, LUA


STAND BY ME
John Lennon
Compositor: Ben E. King, Jerry Leiber and Mike Stoller

When the night has come
And the land is dark
And the moon is the only light we'll see

No I won't be afraid, no I won't be afraid
Just as long as you stand, stand by me
So darling, darling, stand by me, oh stand by me
Stand by me, stand by me

If the sky that we look upon
Should tumble and let fall
And the mountains should crumble to the sea

I won't cry, I won't cry
no I won't shed a tear
Just as long as you stand, stand by me
And darling, darling, stand by me
oh stand by me, oh stand now
Stand by me, stand by me

Whenever you're in trouble won't you stand by me
Oh stand by me, stand by me, stand by me, stand by me

Darling, darling, stand by me, oh stand by me
Stand by me, stand by me, stand by me

Whenever you're in trouble won't you stand by me
Oh stand by me, stand by me, stand by me, stand by me

segunda-feira, 16 de maio de 2016

UM SONHO



Lua...

Caminhava no firmamento
      Por sobre uma ponte de arco-íris
Pra te ver

As cores se multiplicavam
     Na medida em que olhos de pérola negra
Apareciam na minha mente
E meus passos se apertavam
          Pra te ver

Mas meu sonho de tangerina
       Foi frágil como um girassol.
No meu céu de marmelada
       Apareceu um dragão escarlate
Cuspindo labaredas geladas

Fugi dali num cavalo alado
      Que surgiu da luz
Levou-me para um pequeno planeta
      A quilometros de ver você
Mas não longe o suficiente
        Para apagar-lhe o brilho amado

No fim da chuva
      Esperarei outro arco-íris
E, quem sabe, desta vez
                  Verei você
                        Viverei você
           Estarei com você,
       Pra sempre!

Dilton Cardoso


sexta-feira, 13 de maio de 2016

TRÊS MESES



Era apenas um rosto bonito e uma língua instigante
E o sopro de um adjetivo insinuante: “Provocante”
Palavra que gerou a indagação “e...” num instante
A resposta, não dá pra recordar, deve ter sido picante
E o rosto calou-se no Perguntados, ficando distante

Deuses do amor em ação, magia virou poesia
Poemas inundaram um WhatsApp na Bahia
Textos calientes deram a largada para a sintonia
Em um dia 13 de fevereiro, o começo da alegria
Avalanche de carinhos rolando por todo o dia    

Conversas intensas de forte apelo emocional
Um mundo de trocas, dois corações na orbital
Mais horas de internet que pássaros em voo sideral
Um amor que não para de crescer, tudo astral
Nascidos um para o outro desde outra vida espiritual

Carinho, respeito, almas gêmeas, idolatria
Apesar da cidade-mocidade, afinidade-fantasia
Almas que se fundem em harmonia
Numa eterna parceria noite e dia
Marcada por uma Lua que seu brilho irradia

Dilton Cardoso